quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Hoje renasci das cinzas e me tornei metáfora da própria dor. Perdi a sensibilidade que me assolava e desaprendi a voar. Bebi as lágrimas como uma bebida forte e me embriaguei na minha própria desgraça. Hoje bate em meu peito o eco do que já fui um dia, me espelho nas sombras da minha agonia. Quem sou não reconheço mais, não resta sombras da infância voraz. Hoje morri e abri os olhos, encontrei ao mesmo tempo o inferno e o paraíso, e ainda não escolhi meu destino. Algo aqui dentro parou de estalar. Meu hálito tornou-se frio, minha voz rouca, meus gritos mudos. Mudo, constantemente, quase nunca para a melhor. Fui pássaro e sofri grande queda. Fui livre e perdi a esperança. Eu não sei mais voar, quem dirá amar.

Existem vários pinóquios


... na nossa vida. Não são como o a da história da Disney, aliás a única semelhança é o grande nariz que cresce a cada nova mentira. Eles estão em todo o lado e são de carne e osso. Pelo menos, aparentam ser. Mas quem sabe, talvez se venha a descobrir que são, na realidade, de madeira. Madeira essa esculpida, não por Gepeto, mas por algum vilão de outra história qualquer. Todavia, esse vilão não se conteve com a versão original, teve de fazer as suas próprias alterações. Quando um pinóquio da vida real mente, só os seus semelhantes conseguem ver o seu nariz a crescer cada vez mais. Deste modo, os ingénuos, os verdadeiros, os puros, mantêm-se na ilusão de que tudo o que é dito é verdade, e todos se preocupam realmente!